Reciclar é preciso. Criticar não é preciso.

A questão da reciclagem, que em nosso país sempre parece “atrasada” (porque está atrasada mesmo!), provavelmente sempre existiu com o lixo, desde que o homem deixou de ser nômade. A sua forma contemporânea possivelmente decorre da revolução industrial (para baratear o acesso às matérias-primas), e principalmente da segunda guerra mundial, período durante o qual países empobrecidos pelo conflito, se viram obrigados a economizar recursos, cada vez mais caros.

A reciclagem é na verdade uma tentativa de ciclagem, ou seja, um esforço para copiar a natureza, fazendo com que toda matéria-prima ou produto final descartados, sigam o mesmo caminho ”cíclico” que a natureza impõe a seus recursos, ao invés de serem largados à própria sorte, na natureza, como nossa sociedade de consumo adora fazer. Talvez o termo reciclagem tente falar de uma ”nova ciclagem” ou de uma “ciclagem de novo”, ou pode ser que tente mostrar às pessoas que devemos ir no caminho contrário do que fazemos, dando uma marcha a ré, e retornando os materiais para o ciclo de produção, ao invés de descartá-los em um ciclo tão deletério, como o ciclo de resíduos.

A verdade é que para cada sociedade, em algum grau, este sentido da ciclagem dos resíduos contraria a percepção de parte mais ou menos significativa da população, em função do estágio de percepção ambiental em que esta sociedade se encontrar.

No Brasil, em que pontilham iniciativas, a ausência de uma educação que nos permita disciplina semelhante à dos habitantes de países desenvolvidos, e a percepção de que o país é rico,  no qual “em se plantando, tudo dá”, conforme já dissera na primeira carta para Portugal, Pêro Vaz de Caminha, nos conduzem, infalível e curiosamente a um eterno recomeço da reciclagem, um movimento de gangorra, sem um suporte claro do poder público, que se coloca à margem, apoiando (isso mesmo, simplesmente apoiando!) aquelas mesmas iniciativas pontuais, sem assumir o ônus da mudança de abordagem da questão da coleta dos resíduos.

E o que você pode fazer?

Ora, ao colocar seu lixo para fora de sua casa, depois de ter tentado realmente reduzir a sua produção ao máximo, embale coisas iguais em sacos diferentes, independentemente de saber que o caminhão coletor misturará tudo, na hora da coleta. Sabe por que? Porque você assumir a atitude correta, não depende da prefeitura fazer o que devia!

Faça a sua parte, e cuide para que os órgãos públicos façam a deles!!!

Em breve vou dar uma idéia de como implantar um sistema simples de recuperação de resíduos em sua casa, no seu prédio, ou na sua loja. Se quiser, mande questões para o novo texto.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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1 Resultado

  1. 13 de junho de 2016

    […] nenhuma estou  a dizer que a reciclagem não seja necessária, já tendo mesmo defendido o tema aqui no blog, mas sim que ela deve ser limitada ao que for necessário, depois de se ter conseguido deixar de […]

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