Lixo jogado nas ruas cria danos a população e ao meio ambiente

Apesar de campanhas de conscientização, população de BH ainda joga muito lixo nas ruas.

O mau hábito de jogar lixo nas ruas sempre persistiu nas grandes cidades. O problema existe desde o surgimento dos centros urbanos e independe do nível socioeconômico da população. Em 2013 o Portal Uai fez uma matéria sobre o lixo nas ruas em Belo Horizonte e as multas previstas pela legislação. Naquele ano cerca de 28 mil toneladas de resíduos foram tiradas das ruas na cidade, o suficiente para encher pelo menos 4.669 caminhões e ocupar duas vezes o estacionamento do Mineirão.

Pelas ruas se encontra de tudo, desde papeis, guimbas de cigarro, fezes de animais, copos, latas, panfletos e outros. Quanto mais pessoas circulam maior o lixo nas ruas. Segundo a matéria o hipercentro da cidade camufla os culpados, que continuam a circular sem punição. Em BH a lei estipula multas altas, mas ela não é aplicada. E as consequências para a população e o meio ambiente são graves: os danos causados pelas enchentes vem de bueiros entupidos e anos de conscientização ambiental não foram suficientes para mudar isso.

O problema se espalha por toda cidade. No bairro São Cristóvão, na Região Noroeste, os moradores despejam lixo doméstico numa esquina, onde se acumula um lixão. Na Praça Doutor Lucas Machado, no bairro Santa Efigênia, na área hospitalar, os canteiros de flores são ocupados por todo tipo de resíduo. “O pessoal é porco mesmo, joga tudo no chão, até fralda de bebê. Os ratos quase carregam a gente aqui”, afirma Irani Tomázia Pereira, de 52 anos, funcionária de uma banca na praça, ao lado da Santa Casa. A quantidade de lixo nas ruas surpreende até os garis, que precisam limpar as ruas várias vezes ao dia. “Nem parece que a gente limpou, porque rapidinho suja tudo”, diz o gari Ricardo Dias.

O lixo jogado no chão corre o risco de entupir o sistema de drenagem pluvial. Segundo a Superintendência de Limpeza Urbana, em 2013, foram retiradas 5 mil toneladas de resíduos das bocas de lobo, quantidade que vem aumentando a cada ano.  A matéria fez uma apuração nas ruas e descobriu que a população culpa a falta de lixeiras na rua, apesar de fazer vários flagras de pessoas despreocupadas jogando lixo nas praças, no ônibus, nas ruas e até deixando lixo nos orelhões.

Marta Rocha, coordenadora do programa Limpa Brasil, afirma que o hábito de jogar lixo nas ruas é histórico. “O brasileiro joga lixo na rua há 500 anos, pois tem a rua como um lugar que não lhe pertence” afirma. Em declaração para o Portal Uai a coordenadora ainda conta que foram tirados 29 sofás do Lago Paranoá em Brasília e em BH a SLU retirou mais de 200 caçambas de lixo e entulho nos córregos de BH.

Quem falou também com a reportagem foi o catador Tião Santos, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis do Rio de Janeiro. Segundo ele, o lixo interfere na marginalização e depredação do próprio local e acredita que a mudança só ocorrerá com educação. “Existe um grande preconceito das pessoas em relação ao lixo. É uma questão de educação que envolve também o engajamento da população na reciclagem”, diz.

Convidado a comentar a situação pela reportagem o engenheiro sanitarista Hiram Sartori explicou os danos que esse habito causa ao meio ambiente. “Os materiais vão para o sistema de drenagem pluvial, podem entupir dutos e canalizações, assoreiam cursos d’água e contribuem para inundações. Quem joga lixo na rua não vê a distinção entre lixo e o asfalto e enxerga o patrimônio público como algo de ninguém”, afirma.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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