Geração de energia a partir do lixo

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Um problema ambiental sempre preocupou o homem: o que vamos fazer com tanto lixo? Os resíduos sólidos, na maioria das vezes, são depositados em lixões e liberam gás metano, que é 20 vezes mais prejudicial ao clima do que o dióxido de carbono. É um problema global que ainda estamos procurando solução sustentável e ambientalmente responsável, e de maneira economicamente viável.

O crescimento da atividade industrial e do consumo faz piorar a situação. Mas existem hoje soluções que podem ser aplicadas e ainda beneficiam o meio ambiente, como é o caso da geração de energia através do lixo.  A grande vantagem é a melhoria das condições ambientais ajudando a controlar e dar uma destinação para os resíduos sólidos e ainda diminui a poluição de metano na atmosfera. Quando se usa o resíduo para gerar energia ainda se aumenta a vida útil dos aterros sanitários.

Nos aterros sanitários é possível provocar a biodegradação da matéria orgânica dos resíduos sólidos, em ambiente anaeróbico, e ter como resultado a geração do biogás do lixo. O biogás é composto de 50% de dióxido de carbono e 50% de metano, que é um combustível de elevado poder calorífico. É possível a aproveitar esse gás para a geração de energia.

O processo, chamado pirólise lenta, decompõe os resíduos mais complicados sem oxigênio, isto é, sem queima-los, e por isso não emite poluentes. O gás obtido através de um tambor rotativo passa por um sistema de limpeza e purificação, para assim, remover resíduos nocivos que possam ter surgido durante o processo, como o ácido clorídrico. O resultado é um gás tão limpo quando o gás natural. Setenta por cento dele vai apara geração de energia elétrica. A queima do biogás transforma a energia química em energia mecânica, movimentando pistões, e em seguida em energia elétrica.

Este procedimento pode ser feito a partir de do lixo urbano, hospitalar, e industrial, medicamentos vencidos e resíduos de couro e etc. E o material sólido resultante pode ser transformado em adubo e carvão ativado. A produção de energia através do lixo ainda tem a vantagem de descentralização da produção de energia, apesar de não ser um método dominante, e também sua localização mais próxima dos consumidores evita os desperdícios com transporte de energia por grandes distancias. É possível ainda investir na sua produção para usar os créditos de carbono como objeto de leilões e como consequência permite a utilização de recursos para investimentos sociais.

Um exemplo no Brasil é a usina do interior de São Paulo, na região de Ribeirão Preto. O aterro de Guatapará gera força elétrica com o lixo recolhido de 20 cidades da região, e tem capacidade para gerar 4,2 megawatts de energia – o suficiente para abastecer uma cidade de 18 mil habitantes. No entanto, a geração de energia a partir do lixo não vai resolver o problema do setor elétrico brasileiro. Apenas 0,73% da energia distribuída atualmente pelo Sistema Interligado nacional vem de resíduos orgânicos, já que o biogás ainda é muito pouco explorado no Brasil.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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1 Resultado

  1. 30 de junho de 2016

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