Falta de saneamento básico põe o Brasil em risco

Em uma reportagem do Jornal Nexo publicada no último dia 31, foi exposto a situação desigual da distribuição nacional da coleta de esgoto no Brasil. Na minha opinião o problema apresentado na matéria é de extrema relevância, porque põe a saúde de milhões de pessoas em jogo. Estamos passando por uma crise na saúde com o grande número de casos de doenças como dengue e zika, mas ao invés de focar somente no vetor da doença, o mosquito aedes aegypti, é preciso focar em problemas estruturais básicos.

O saneamento básico é um dos serviços públicos que mais acentua a desigualdade no país, e é de extrema importância para a saúde da população e do meio ambiente, já que, sem ele, a transmissão de doenças como cólera e hepatite também é maior. Sem coleta de esgoto o local ainda fica sujeito à contaminação do solo, deslizamentos e inundações. Para se ter uma ideia, segundo o Instituto Trata Brasil, metade da população do país não tem coleta residencial de esgoto e 35 milhões de pessoas não tem acesso a água potável.

A distribuição do saneamento básico pelo território brasileiro reflete a desigualdade social do país, e os números mostram exatamente os lugares que mais precisam de atenção. Segundo dados da matéria, as regiões com menos cobertura de saneamento básico é o Norte e o Nordeste. Mas mesmo aqueles lugares com maior cobertura, os dados mostram que há desigualdade em nível local, isso porque nem todas as cidades tem 100% de coleta de esgoto.

O coordenador da pesquisa sobre saneamento básico do Instituto Trata Brasil, Pedro Scazufca, explica que em média, 30% da arrecadação com tarifas de saneamento é reinvestida em infraestrutura no setor. Esse número pode ser bom ou ruim, dependendo da situação específica de cobertura em saneamento em cada cidade. Sem investimento, as cidades que mais precisam de melhora, são as que mais estão atrasadas.  Édson Carlo, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, explica sua preocupação com a desigualdade no Brasil: “A preocupação é que os avanços em saneamento básico não só estão muito lentos no país, como cada vez mais concentrados onde a situação já está melhor. Estamos separando o Brasil em “ilhas” de Estados e cidades que caminham para a universalização da água e esgotos, enquanto que uma grande parte do Brasil simplesmente não avança”.

O Plano Nacional de Saneamento Básico feito em 2007 propõe a meta que até 2033, 93% do país já tenha acesso à coleta de esgoto. Mas o ritmo de melhora nos últimos anos indica que o objetivo só será alcançado em 2050. A falta de saneamento básico no país é um dos principais causas da diminuição do Índice de Desenvolvimento Humano, de acordo com o relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. E numa visão global, esses números põe o Brasil em desvantagens até em comparação com países como Peru, Bolívia e Venezuela.

Na matéria o professor de Ciência Política da USP e ex-diretor do Centro de Estudos da Metrópole, Eduardo Marques, explica a causa da desigualdade no Brasil.  “A desigualdade no Brasil é caracterizada por um lado por aquelas [desigualdades] que não são produzidas pelas cidades, que são dimensões associadas à própria renda e ao mercado de trabalho, e as dimensões claramente associadas à cidade, como a desigualdade de acesso [ao espaço urbano], pela falta de mobilidade e de estrutura urbana, e a segregação espacial nas cidades”, afirma.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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