Córregos levam poluição à Lagoa da Pampulha

Sem educação ambiental,  população continua sujando os córregos que deságuam na Pampulha

Depois de passar por um desassoreamento que custou mais de 100 milhões à Prefeitura de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha ainda apresentava uma nata negra e malcheirosa. A limpeza foi concluída em outubro de 2014, com a retirada de mais de 847 mil metros cúbicos de sedimentos que chegaram ali através dos afluentes da bacia, composta pelos córregos Mergulhão, Tijuca, Ressaca, Sarandi, Água Funda, Braúna, Olhos D’água e AABB. O objetivo era resgatar a qualidade ambiental da lagoa e garantir a capacidade de amortecimento das ondas de cheias, bem como processos de inundação da região e a jusante da represa.

Porém em dezembro de 2015 foram encontrados animais mortos, brinquedos, garrafas plásticas e até a carcaça de uma televisão que foram trazidos pela forte enxurrada dos córregos. Como era época de chuvas, acredita-se que o catalizador do problema tenha sido um temporal. O engenheiro Hiram Sartori comentou na reportagem do Jornal Hoje em Dia sobre as possíveis causas da poluição de um dos cartões postais de Belo Horizonte.

O problema, revela a reportagem, é que no período chuvoso a contaminação da lagoa aumenta. O acréscimo no volume de resíduos sólidos chega a 30%, e são retiradas seis toneladas de lixo domiciliar por dia, segundo a Superintendência de Limpeza Urbana. A matéria conclui que se os córregos e ribeirões que deságuam na Lagoa da Pampulha continuarem a ser usados como deposito de lixo, não vai adiantar de nada gastar milhões com a despoluição do local.

No entanto, o comportamento da população de Belo Horizonte e Contagem seria o maior problema, segundo especialistas, já que ela continua despejando lixo de forma incorreta nos oito ribeirões que deságuam na lagoa. Segundo o professor de geografia do Uni-BH, Rodrigo Lemos, é fundamental evitar a degradação dos córregos e nascentes enquanto há tempo. “É preciso que intervenções nos ribeirões sigam parâmetros legais e normativos válidos em Minas, de forma a não continuar as ações de canalização e retificação dos cursos d’água, tendo como referencial a diminuição do aporte de sedimentos para a lagoa”, afirma Lemos.

Para Hiram Sartori, especialista em resíduos sólidos, a chave do problema está na falta de educação ambiental da população e na negligencia dos gestores. Como no final do ano aumenta o número de turistas na orla, pode ocorrer que as cestas de lixo não estejam disponíveis em número suficiente. “O nível de abandono dos equipamentos públicos é reflexo de uma administração pública pouco eficiente” diz.

Sartori afirma que se a prefeitura não tiver o cuidado necessário com o local, dificilmente os moradores terão. “O lixo na orla está ligado ao abandono em que se encontra a lagoa. A falta de cuidado com a cidade é parte do problema. O indivíduo não percebe o cuidado que gostaria de ver nos equipamentos públicos, como praças e parques. Se ele vê lixo no chão, também vai jogar”, conclui.

E qual o plano para resolver o problema? A Superintendência de Desenvolvimento da Capital esclareceu ao Jornal em Dia que a etapa atual da despoluição da Pampulha não prevê desassoreamento e retirada de sedimentos. Já em Contagem a prefeitura afirmou que a limpeza dos córregos é feita periodicamente, e em dezembro a cidade assinou protocolo de intenções para a preservação das nascentes da bacia da Pampulha. E será intensificado a preservação ambiental na região, com ajuda da comunidade local.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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