Captação de água da chuva em Belo Horizonte

Fazer economia de água se tornou necessário há bastante tempo, mais ainda recentemente, quando o Brasil sofreu com a escassez em épocas de seca e até contaminações de rios – como por exemplo o caso da tragédia de Mariana em 2015. O país é um dos que mais tem água doce no planeta, apresentando 12% de água da reserva de água disponível e mesmo assim passa por problemas de escassez constantes. A educação ambiental, portanto, deve mudar de acordo. Já em 2007 os vereadores de Belo Horizonte tentavam aprovar um projeto de lei que previa economia de água através da obrigação de novas edificações a instalar sistemas para captação e aproveitamento de água de chuva.

Em matéria para o Jornal O Tempo cheguei a comentar sobre os detalhes do projeto e como isso afetaria os moradores da cidade. O texto do projeto diz que a água da chuva seria captada através de caixas de armazenamento apropriadas, e depois usadas na irrigação de hortas, descargas, limpeza de passeios e de áreas de uso comum. Há ainda a previsão de instalação de aparelhos e dispositivos que economizam água, como torneiras com arejador e com sistema de fechamento automático e vasos sanitários com volume de descarga reduzido. As construções residenciais verticais e horizontais com mais de 200 metros quadrados seriam obrigadas a usar o sistema, e para as não-residenciais a obrigatoriedade é para aquelas que possuem área a partir de 600 metros quadrados.

O maior exemplo dado pela reportagem é de um arquiteto que faz captação de água de chuva em uma área verde de 5 mil metros quadrados, onde desenvolve cursos de plantio de orquídeas. Cícero Christófaro criou e implantou ele mesmo o sistema de captação, e foi aperfeiçoando com o tempo. “A água de chuva cai em pequenos reservatórios impermeáveis. Quando esses reservatórios enchem, a água é canalizada para uma pequena caixa d’água receptora, de onde é encaminhada, em tubos de PVC, para a irrigação das plantas”, explica.

Segundo a matéria, o arquiteto criou um sistema com capacidade de armazenar até 100 mil litros de água de chuva e garante que seu projeto valeu a pena. “Meu objetivo inicial foi preservar os recursos hídricos e contribuir para a umidade do ar. Mas o projeto também resultou em economia. No período chuvoso, não gasto água da Copasa”, afirma.

Porém, as opiniões se dividem quanto a obrigatoriedade nas construções antigas. O coordenador da Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social, Ronaldo Gusmão, acredita que as edificações antigas devem se submeter as mesmas condições. “A intenção do projeto é boa, mas inócua a meu ver, pois Belo Horizonte é uma cidade com pouca área livre para as novas construções”, afirmou. Gusmão ainda cita que os prédios e áreas de órgãos públicos deveriam ser obrigados a captar água, assim como os outros. Como exemplo, ele cita a praça da Liberdade, na região Centro-Sul, e diz que a água captada poderia alimentar suas fontes.

E é aí que eu discordo. As construções antigas não podem usar esse mesmo sistema de captação de água, pelo simples fato de serem construções mais frágeis. As construções são projetadas para suportar um limite de peso. Incluir esses sistemas pode interferir na resistência das estruturas. Por isso acredito que os métodos de captação de água de chuva devem ser condizentes com a realidade da cidade, e se adaptar para que não haja nenhum dano extra.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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