A Mata Atlântica precisa de ajuda

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Dia 27 de maio foi comemorado o Dia Nacional da Mata Atlântica. Mas vamos usar a ocasião para lembrar as pessoas porque é difícil celebrar esse dia, e quais são os riscos que ainda ameaçam esse bioma que se tornou Patrimônio Nacional e é considerada pela Unesco como Reserva da Biosfera.

A Mata Atlântica é considerada uma das áreas com maior biodiversidade do mundo. Ela está em 17 estados brasileiros e originalmente abrangia 1.315.460 km2. Hoje apenas 8,5% ainda existem, vindos de remanescentes florestais ou 12,5% se somados os fragmentos de floresta nativa acima de três hectares. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica houve um aumento de 1% no desmatamento de 2014 a 2015 em comparação ao período anterior, caindo de 18.267 hectares para 18.433 hectares.

Dados da Unesco indicam que o Estado que mais desmata a Mata Atlântica é Minas Gerais, que perdeu 7.702 hectares do bioma em seu território entre 2014 e 2015, ou 37% de toda a área desmatada. Em seguida vem a Bahia com 3.997 hectares desmatados, apesar de ter desmatado 14% a menos do que o ano passado. E em terceiro vem o estado do Piauí, que estava em primeiro lugar no período entre 2013 e 2014, mas caiu no ranking por ter desmatado 14% menos em 2015. Nos três estados o desmatamento se deve a ações nos limites do Cerrado.

A importância da Mata Atlântica é incalculável. De acordo como a Fundação SOS Mata Atlântica, estima-se que o bioma apresente mais de 20 mil espécies de plantas, 298 espécies conhecidas de mamíferos, 200 répteis, 992 espécies de aves, 370 anfíbios e 350 peixes. Além disso 72% de toda população brasileira vivem no local, ou seja, mais de 145 milhões de habitantes; 61% dos municípios existentes no país.

A Mata Atlântica contribui ainda para o equilíbrio da natureza. Ela influencia a purificação do ar e a regulação do clima. Além disso ajuda a evitar deslizamentos de terra, já que protege e estrutura a camada superficial do solo. Ela também favorece o abastecimento de água nas cidades, pois protege os rios e nascentes. O bioma também é importante para a economia: se explorada de uma maneira sustentável ela permite atividades como a agricultura, a pesca, o extrativismo, o turismo, a geração de energia e o lazer. Mas infelizmente é considerada um Hotspot, isto é, tem alta biodiversidade, mas está sob ameaça do mais alto grau.

Mas como a Mata Atlântica é destruída tão drasticamente? Inicialmente pelo desmatamento sucessivo causado pela extração do pau-brasil, e por ciclos econômicos como o da cana-de-açúcar, café e ouro. A agricultura e pecuária também são fortes fatores e destruição, além da exploração predatória de madeira e de outras espécies vegetais. Os habitantes da área também causam grande impacto, assim como a industrialização e a expansão urbana desordenadas. E infelizmente o lixo e a poluição também têm papel destrutivo na natureza, contribuindo na devastação desse bioma.

Mesmo se o desmatamento fosse completamente zerado, ainda seria preciso uma ação de reflorestamento e mudança nos hábitos da população. Se você quer ajudar a Mata Atlântica a se recuperar pode começar por pequenos atos, como por exemplo, comprando produtos artesanais de comunidades indígenas, desta forma valorizando nossa cultura. Cuidado com os lugares onde joga seu lixo, não utilize a natureza como lixeira. E quando comprar plantas nativas, verifique se são vendidas legalmente, o mesmo sendo válido para os produtos feitos de madeira. Também existe manejo ilegal de palmito, por isso verifique se ele foi registrado pelo Ibama ou órgãos responsáveis. Verifique bem o local ao comprar imóveis, não os compre dentro de áreas protegidas. Quando consumir qualquer produto, dê preferência para empresas que respeitem o meio ambiente. Nunca compre animais silvestres e ajude denunciando seu comércio ilegal. E claro, evite o desperdício, consuma somente o necessário. A natureza agradece.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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