Experimentando um Ecossistema Construído

 

 

Hiram Sartori e André Barreto usam sistemas naturais descentralizados para o tratamento de esgoto

O uso sustentável da água é essencial para a manutenção da vida no planeta. Por isso o seu uso abusivo no Brasil, e em tantos outros países tem despertado a preocupação da população. Os impactos ambientais estão comprometendo a saúde e a vitalidade dos mananciais. Muitas regiões do país enfrentam problema de escassez ou poluição da água que abastece a população, e em muitos casos o nível de poluição é tão grande que um rio pode até ser dado como morto, e sua água passa a não ser mais viável para consumo humano. O tratamento de água torna-se então indispensável, e deve ser eficaz e sustentável.

Com vistas em um novo planejamento para saneamento ambiental no Brasil, o Engenheiro Civil Hiram Sartori orientou, em 2007, o projeto de uma Unidade Experimental de Tratamento de Esgotos, por Ecossistemas Construídos, na PUC Minas Betim, de autoria do aluno André Baxter Barreto. A unidade serviu como um laboratório experimental para os alunos do curso de Ciências Biológicas, e o alvo do tratamento foi o efluente das pias da cozinha da cantina da universidade.

Os objetivos do projeto foram: operar um sistema de tratamento de esgotos secundários pelo processo combinado de wetlands construídos e Living Machines; avaliar a eficiência do sistema em termos de redução de carga orgânica, sólidos suspensos, nitrogênio amoniacal, pH e condutividade elétrica; além de servir como centro de pesquisas para a universidade. Nesse projeto foram usados os sistemas naturais descentralizados para o tratamento de esgotos.

E o que são os sistemas ditos naturais? Segundo o estudo são sistemas que utilizam qualquer fonte de energia induzida para acelerar os processos bioquímicos, na ciclagem dos elementos contidos nos esgotos, em ecossistemas naturais espontâneos. Entre esses sistemas se incluem as lagoas de estabilização e os filtros plantados com macrófitas, também chamados wetlands construídas. Barreto destaca que as wetlands já construídas no Brasil focam no pré-tratamento de água para diversas finalidades, no tratamento secundário e terciário de esgoto sanitário, e na despoluição dos rios.

Outro sistema natural para o tratamento de esgotos é o Living Machine, que é um conjunto de tecnologias desenvolvidas pelo Dr. John Todd em 1991. Os Living machine usam bactérias e outros organismos como plantas, e gastrópodes, que auxiliam na despoluição da água.  Funciona assim: o tratamento conduz o esgoto por vários tanques, onde ele é exposto a bactérias em um filtro biológico anaeróbio, e em seguida passa por uma série de reatores sequenciais, cada um com uma comunidade de plantas, algas, gastrópodes, peixes e microrganismos.  A cada estágio do sistema os contaminantes são removidos da água, e no final o efluente pode se enquadrar a rigorosos padrões de qualidade ambiental.

A unidade construída operou em regime de fluxo contínuo, e aproximadamente mil litros de esgoto passaram por ela todos os dias. O sistema foi equipado com registros para controle de seu funcionamento. Em caso de falhas ou problemas, o primeiro registro permite a passagem do fluxo para a rede de esgoto normal, e o segundo controla a vazão de esgoto que entra no sistema. O efluente final é lançado na rede da Copasa.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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