O papel das políticas públicas na sustentabilidade e nas diferenças sociais

Trabalho orientado por Hiram Sartori explica qual o papel do governo para o desenvolvimento da sociedade sem prejudicar o meio ambiente

 

Sustentabilidade tem sido um assunto bastante discutido pela sociedade, empresas e governo. Há uma grande preocupação com a preservação do meio ambiente e, ao mesmo tempo, em promover o desenvolvimento socioeconômico. Com intuito de analisar a cidade de Belo Horizonte e as políticas públicas focadas no desenvolvimento sustentável, as alunas de pós-graduação em Administração Pública da PUC Minas, Juliana Maciel e Luciana Bomfim, com orientação do Engenheiro Civil Hiram Sartori, pesquisaram sobre como o governo tem atuado neste campo.

Ao longo do trabalho as pesquisadoras reforçaram o dever do Estado de apresentar projetos e políticas que consigam fazer com que cidadãos de baixa renda tenham meios de construir uma vida melhor. Mas alertam que as ações promovidas pelo Estado não podem ser meramente assistencialistas: “Elas devem conseguir estar além dessa dominação e de fato promover o desenvolvimento das pessoas em situação desfavorável, igualando-as mesmo que a longo prazo à situação de classes mais favorecidas” explica o trabalho.

O resultado do trabalho das alunas, feito em 2010, mostrou que em Belo Horizonte existem uma série de políticas públicas e projetos sociais que visam o desenvolvimento sustentável e a geração de renda para a população menos favorecida. O trabalho enfatizou dois projetos que se destacaram na época, que promoviam ao mesmo tempo a preservação do meio ambiente e a geração de renda e emprego para populações vulneráveis através da sustentabilidade. São os projetos o “Ecobloco”, que promovia a inclusão produtiva através da produção de blocos de concreto a partir de reciclagem de entulho de construção civil e o “Projeto Tzedaká”, um centro de informação e referência para educação ambiental integrado às ações da Unidade de Capacitação e Produção de Papel Reciclado Artesanal para desenvolvimento de produtos gráficos ecológicos, culturais, e definidos como ecodesign – ou design para a sustentabilidade.

No entanto, para acabar de vez com a pobreza e as desigualdades, é preciso mexer na raiz do problema. As relações culturais e econômicas que reforçam este problema precisam ser mudadas, já que elas só aprofundam a exclusão. E isso inclui as medidas sustentadas pela própria atividade estatal na implementação de políticas públicas. Tais medidas não podem ser paternalistas, pois anulariam a autonomia das pessoas, e a participação delas na sua própria construção e na construção da comunidade social e política.

“Sem que todas as pessoas possam agir com autonomia na esfera privada, nas relações sociais e com autonomia na esfera pública, na dinamização dos direitos políticos na participação da gestão da coisa pública, não se poderá falar em democracia” conclui o trabalho.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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