Lixo é proibido! É proibido jogar fora!

A palavra lixo mantém-se em nosso imaginário, exatamente como aquilo que de menos interessante existe em nossa sociedade, ao ponto de o descartarmos, e continuar descartando desde a mais remota antiguidade, em quantidades cada vez maiores (Para você ter uma ideia, a quantidade de lixo produzido no Brasil aumenta num ritmo cinco vezex mais acelerado do que o crescimento pouplacional! (1) (2)). Os esforços de redução e de recuperação destes resíduos, pouco significam efetivamente na redução dos danos que, quantidades acumuladas e crescentes de lixo produzido, causam ao meio ambiente. Fruto da nossa própria educação, da qual sempre fez parte o “jogar fora”, e resultado de nossa percepção ambiental equivocada e de nossas opções enquanto sociedade de consumo, é componente intrínseco de todas as sociedades, inevitável e inexorável.

Então, o que fazer? Cobrir o planeta com estas montanhas de materiais desinteressantes? Transformar em matéria-prima, estes resíduos? Queimá-los, para economizar espaço?

Não, na verdade nada disso.

O lixo não é, ele mesmo, o problema do lixo, porque o problema do lixo é o consumo de recursos, matérias primas e bens materiais, produzidos pela indústria, principalmente a forma como nos colocamos, em relação a este consumo. Ou seja, os problemas do lixo não se resolvem no lixo, ou não encontram solução depois da sua produção, porque a solução dos problemas do lixo consiste basicamente em não produzi-lo, a qualquer custo! Aceitar a pós-remediação dos danos associados aos resíduos sólidos, é negar nosso estágio de conhecimento e percepção ambientais.

Qualquer solução verdadeira para a questão dos resíduos sólidos, exige prioritariamente um planejamento para a redução do consumo e, ainda hoje, outro para a destinação e a disposição dos resíduos mesmo assim gerados porque, com certeza, esta geração persistirá.

Em que pese a importância das campanhas de reciclagem, melhor seria nem ter lixo para ser reciclado, o qual, para o seu aproveitamento, também causa impactos ambientais negativos, como consumo de energia nos processos produtivos, e emissão de grande quantidade de poluentes atmosféricos, dos caminhões que transportam o lixo reciclável, até as indústrias que os consomem.

Como não é possível não gerar resíduos, continuaremos ainda por muito tempo necessitando de caminhões, indústrias e aterros, para dar cabo deste subproduto de nossa vida cotidiana. Bem vindos a reciclagem, os caminhões e os aterros de resíduos! Por enquanto.

Estou preparando um material sobre as diversas etapas do ciclo de resíduos, e vou postar aqui, para consulta pelos interessados. Se você tiver interesse, mande suas sugestões, para a elaboração do material.

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

Você pode gostar...

1 Resultado

  1. 15 de junho de 2016

    […] Diante do problema do excesso de lixo nas nossas cidades e, afinal, no mundo todo, às vêzes nos perguntamos como fazer diferença nesta situação, de escala global. Como produtores de lixo que somos, podemos e devemos fazer muito, até mesmo sem sair de casa. Cuidar do próprio lixo, reciclar, pensar no meio ambiente e nas gerações futuras, é exercer a cidadania, os direitos e os deveres de cidadão. Com o objetivo de contribuir para uma maior participação das pessoas, no controle do desperdício e da produção de lixo, deixo minha contribuição para aqueles que, como eu, também buscam uma maior eficiência em suas ações ambientalistas. Na verdade eu já apresentei esta questão por um ponto de vista diferente. Se quiser conhecer, vá para o post associado a este link. […]

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: