Falta de despejo adequado de lixo hospitalar em Minas ameaça o meio ambiente e o homem

 

Problema do lixo hospitalar em Minas deve ser resolvido de forma conjunta

Minas Gerais ainda não consegue coletar lixo hospitalar apropriadamente. Isso foi o que o Jornal Hoje em Dia apurou em 2013 depois de ter conhecimento de mais um problema de descarte de resíduos sólidos no Estado. Dessa vez o problema é ainda mais preocupante, já que se trata de bolsas de sangue, seringas, restos de curativos, lâminas de bisturis e até material radioativo – esse lixo é descartado sem a destruição de microrganismos infectantes, isto é, sem passar pelo procedimento correto.

O descarte irregular de lixo hospitalar é um problema grave e traz ameaças ao meio ambiente e aos homens. A matéria diz que de cada dez quilos de lixo produzidos por hospitais em Minas, apenas três são coletados dentro das normas do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Mais de 223 toneladas diárias de lixo contaminado acaba depositado de forma errada em aterros sanitários ou lixões.

A reportagem tenta chamar a atenção para a resolução destes problemas, mas quem deve arcar com essa responsabilidade?  Os responsáveis pelo tratamento e destino final de resíduos de serviço de saúde são os estabelecimentos de saúde, que acabam deixando o lixo ser coletado indevidamente, e ainda estão sujeitos a multa e até perda do alvará de funcionamento. Em alguns casos o município assume a função de recolher os despejos de hospitais particulares, e pode arcar com as consequências.

O problema é que apenas 16 unidades fazem a gestão de resíduos hospitalares em Minas. Eles processam até 90 toneladas de lixo por dia por meio de incineração e autoclavagem, mas segundo o diretor de gestão de resíduos da Fundação Estadual de Meio Ambiente, Renato Teixeira, a maior parte do lixo vai para aterros sanitários ou valas. Mesmo sem números exatos disponíveis sobre a quantidade de hospitais e municípios autuados, a matéria afirma que ainda há em Minas 270 cidades que recorrem a lixões, seja para descarte de lixo residencial, industrial ou hospitalar.

Mas o problema chave levantado pelo Jornal é que não há empresas suficientes que atendem à demanda. Mesmo que as unidades de saúde e as prefeituras estivessem dispostas a pagar pelo tratamento do resíduo hospitalar não haveria locais de tratamentos que os atendesse plenamente. Teixeira ainda afirma que o próprio mercado tem que viabilizar a criação dessas unidades e o máximo que o Estado pode fazer é incentivar.

Para esclarecer a questão eu comentei sobre a responsabilidade sobre os resíduos no Estado. Na minha opinião, os órgãos públicos não podem se esquivar da discussão. Mesmo que a legislação encarregue os hospitais que geraram os resíduos, a responsabilidade é, na verdade, conjunta. O Estado precisa reconhecer que alguns municípios não têm condições de pagar pelo tratamento e propor alternativas.

 

Fonte: Jornal Hoje em Dia

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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