Alunos de Engenharia Civil criam projeto que facilita a construção de usinas de compostagem no Brasil

Hiram Sartori orientou o grupo de alunos num projeto que traz uma solução fácil e sustentável para a disposição de resíduos sólidos

O lixo é um grande problema para o bem-estar do nosso planeta. O lixo que geramos precisa ser cuidado para que não contamine o solo e os lençóis freáticos e assim a água que consumimos seja potável. Diante desses problemas que geram danos à saúde pública, à segurança e ao meio ambiente, é necessário um plano sustentável para gestão destes resíduos.

Como meio de incentivo às soluções sustentáveis no Brasil, o engenheiro civil especialista em Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos, Hiram Sartori, orientou os estudantes do Curso de Engenharia Civil da PUC Minas, Juciléia Costa Vieira, Marcos Novaes de Souza, Phelippe Fernandes do Carmo e Rodrigo
Pereira Prates dos Santos num projeto que facilita a criação e operação de usinas de compostagem que promovam a decomposição da matéria orgânica dos resíduos sólidos urbanos.

O projeto propõe solucionar um dos grandes problemas quanto o tratamento de lixo no país (leia o texto completo: Sistema modular de usinas de compostagem). Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, cerca de 50% do lixo urbano brasileiro é composto de matéria orgânica, isto é, que são de origem vegetal e animal e suscetível de degradação – por exemplo sobras de alimentos, frutas, legumes, casca de ovos, folhas, caules, flores, aparas de madeira, cinzas etc – , mas apenas uma pequena parte é disposta de maneira segura ao meio ambiente. Hoje as cidades brasileiras coletam o lixo urbano e o depositam em aterros de resíduos, em especial aterros sanitários, sem separar os recicláveis e tratar a parcela orgânica. Este modelo custa caro para as prefeituras e ainda provoca danos ao meio ambiente e as comunidades ao seu redor.

De acordo com Sartori, o sistema de compostagem é pouco difundido e por isso não é bem gerida por grande parte das cidades, que acabam abandonando o projeto. “A ideia do projeto é otimizar o espaço e a verba empregados para construção de novas usinas, facilitando a gestão da iniciativa”, explica o especialista. A proposta dos alunos de Sartori aproveita os tradicionais contêineres de cargas marítimas para a construção e implantação mais rápida e mais barata destas usinas. Isso permite também que sua ampliação ou desativação sejam também fáceis e baratas.

A pesquisa foi feita através do levantamento de dados, a partir de pesquisas anteriores que já observam o problema do lixo e procuram soluções a partir delas, além da busca de informações sobre usinas de compostagem existentes no Brasil. Foram ainda feitas visitas técnicas para checar se estão em operação. Assim, todo o conhecimento compilado foi analisado para identificação de parâmetros de dimensionamento e modulação de um sistema de usinas de compostagem.

Pela proposta do projeto, a implementação desse sistema seria facilitada, já que a prefeitura precisaria apenas fornecer o espaço para a construção do pátio. As instalações administrativas funcionariam nos contêineres metálicos, e os pátios teriam uma parte coberta por um galpão metálico, facilmente montados e desmontado pela empresa responsável.  O sistema modular projetado é composto por módulos combináveis e ajustáveis de usinas de compostagem para atendimento à produção de resíduo orgânico de populações de dois mil, seis mil e dez mil habitantes. Este sistema também pode atender a estas demandas e outras, maiores, de forma centralizada ou descentralizada.

Desta forma, a mobilidade oferecida pelos contêineres é o grande diferencial deste projeto. Ele possibilita o fácil deslocamento da estrutura da usina para outras áreas e ainda facilita sua expansão, já que precisaria apenas de novos módulos para sua ampliação. Um dos alunos que participa da pesquisa, Marcos Novaes, confirma a praticidade da implementação do projeto: “O sistema modular a partir de contêineres já é amplamente utilizado no setor de construção civil no Brasil, devido à praticidade que oferece, e nossa ideia foi trazer este mecanismo para as usinas de compostagem, incentivando o reaproveitamento do lixo orgânico”, esclarece.

 

Hiram Sartori

Hiram Sartori é Doutor em Engenharia Civil, área de Hidráulica e Saneamento, e ênfase em Resíduos Sólidos, pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da USP(1998), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), Graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia da UFMG (1984). Tem experiência em Engenharia Civil, atuando com ênfase em Saneamento e Meio Ambiente, principalmente nas áreas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, capacitação e treinamento em gerenciamento de resíduos sólidos, administração universitária.

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